sábado, 4 de dezembro de 2010

Descoberta de bactéria sugere que base da vida pode ser variável Universo afora


 Entre tantas cenas memoráveis de "ET - O Extraterrestre", do velho Spielberg, há uma que comove os corações mais nerds: descobre-se que o pequeno alienígena tem DNA, mas com seis "letras" químicas, em vez de quatro, como ocorre na Terra.

A descoberta anunciada na quinta-feira pela Nasa talvez seja ainda mais radical que a do filme. Não é todo dia que um elemento químico antes barrado no seleto grupo de átomos cruciais para a vida acaba passando no teste --caso do "venenoso" arsênio. 


e fato, as implicações disso têm um quê de ficção científica --uma das especulações mais comuns entre os autores do ramo é que certos ETs tenham silício no lugar de carbono em suas moléculas. A grande questão é saber se a química da vida é contingente ou necessária.

Em termos menos filosóficos: se o DNA, as proteínas e outras moléculas biológicas são do jeito que são por causa da maneira particular, casual, pela qual a vida evoluiu por aqui ou se as características delas são essenciais para qualquer ser vivo, em qualquer canto do Universo.

No segundo caso, achar vida fora da Terra depende essencialmente de achar outras "Terras" pelo Cosmos. A lenga-lenga de sempre: planetas com água no estado líquido, atmosferas relativamente espessas, rochosos etc. Mas a bactéria do lago Mono pode indicar um Universo bem mais fértil do que se poderia esperar.

Afinal, se a química da vida terráquea é versátil a ponto de trocar um átomo dito essencial por um "primo" na tabela periódica, deixa de ser absurdo cogitar que outras situações como essa estejam acontecendo dentro ou fora do Sistema Solar.

Que tais coisas aconteçam neste planeta é um tributo a outra frase de Spielberg, em "Parque dos Dinossauros": "Life finds a way" ("a vida dá um jeito").

Texto adaptado de:http://www1.folha.uol.com.br/ciencia

sábado, 27 de novembro de 2010

Listras de Júpiter desaparecidas estão voltando, diz agência espacial americana

Novas imagens da Nasa (agência espacial norte-americana) mostram que uma das listras de Júpiter que havia desaparecido no início do ano dá sinais de que está voltando. As observações vão ajudar cientistas a entender melhor a interação entre os ventos de Júpiter e a química das nuvens. 

No começo do ano, astrônomos amadores notaram que uma longa listra de cor marrom escura --conhecida como Cinturão Equatorial Sul (SEB, na sigla em inglês) e localizada ao sul de Júpiter-- havia se tornado branca. 

No início deste mês, o astronomo amador Christopher Go das Filipinas achou um ponto brilhante na área branca que antes era escura. Esse fenômeno atraiu o interesse de cientistas do Laboratório de Jato de Propulsão (JPL) da Nasa. 

Depois de muitas observaçoes feitas no Hawaí, os cientistas agora acreditam que a área escura está reaparecendo. 

"A razão pela qual Júpiter parece ter perdido essa faixa, se camuflando entre as áreas de faixas brancas que ficam em volta, é que os costumeiros ventos decantados que são secos e mantêm a região sem nuvens cessaram", disse Glenn Orton, cientista da JPL. 

"Uma das coisas que estávamos procurando através do infravermelho era uma evidência de que o material escuro emergindo ao lado do ponto brilhante era realmente o começo da 'limpeza' na camada de nuvens, e foi exatamente isso que vimos", completou. 

Texto adaptado de:http://www1.folha.uol.com.br/ciencia

sábado, 20 de novembro de 2010

Cão pode ser chave para entender distrofia muscular, revela estudo da USP

"Não é possível, esse cachorro não tem nada! Olha como ele corre", espantou-se Anderson Oliveira, 14, ao conhecer Ringo, um golden retriever de sete anos.

O cachorro tem distrofia muscular, mesma doença degenerativa que tirou os movimentos do jovem. Contrariando todos os padrões de evolução da moléstia, o animal não tem problemas para se movimentar.

Testes em laboratório revelaram que ele é capaz de pular, correr e andar quase tão bem quanto um animal sem distrofia muscular.

Para os cientistas, essa é a primeira vez que um cão com total ausência de distrofina --proteína que contribui para a firmeza das fibras musculares e cuja ausência causa a distrofia-- consegue manter atividades físicas em níveis tão intensos.

Por conta disso, um time de pesquisadores da USP agora esquadrinha cada detalhe de seu DNA, em busca de uma pista do que poderia estar provocando a resistência aos efeitos da doença.

Também estudando cães, a mesma equipe acaba de testar com sucesso o uso de células-tronco para fortalecer os músculos afetados pela distrofia. Nesse aspecto, os bichos também são cruciais.

"A distrofia dos cachorros é causada por um defeito no mesmo gene que causa a distrofia de Duchenne [tipo mais comum e mais grave da doença] em seres humanos. Se nós formos capazes de curar esses animais, então nós também curaremos os meninos", disse à Folha a geneticista Mayana Zatz.

A cientista dirige o Centro de Estudos do Genoma Humano, que realiza o mapeamento genético de Ringo.
Ele e outros 16 golden retrievers fazem parte do projeto Genocão, um canil na USP onde efeitos e tratamentos da distrofia são estudados.

Conhecida como GRMD (sigla para distrofia muscular do golden retriever, em inglês), a doença é relativamente comum nessa raça.

Ela é provocada por um defeito num gene do cromossomo X, assim como a distrofia dos seres humanos.
Cientistas veem indícios de que o "segredo" de Ringo também possa estar ligado a uma alteração nesse cromossomo. Isso porque o cachorro conseguiu passar adiante essa "proteção" para pelo menos um de seus filhotes.


A singularidade de Ringo fez com que ele virasse uma espécie de celebridade entre os geneticistas do mundo todo. A história já foi abordada em diversos congressos e apresentada em periódicos científicos internacionais.

Apesar da aura promissora, os pesquisadores daqui também pedem cautela quanto ao resultados dos estudos com o animal.

Texto adaptado de:http://www1.folha.uol.com.br/ciencia